Sindicato da Indústria Gráfica do DF completa 40 anos.

Em grande estilo, o Sindicato da Indústria Gráfica do DF (Sindigraf-DF) celebrou os 40 anos de fundação da entidade. A festa foi realizada no Espaço Novyttá no dia 07 de dezembro e reuniu associados, fornecedores e representantes do setor produtivo.
O evento de confraternização dos empresários gráficos, também foi marcado pela solenidade de posse da diretoria eleita para o triênio 2011/2014, presidida por João Ferreira dos Santos.
Na solenidade, o ex-presidente Antônio Eustáquio de Oliveira ressaltou a importância da união dos empresários para o fortalecimento do setor. Após o discurso, Antônio recebeu uma placa em homenagem aos seis anos à frente da entidade.
Em seguida, o presidente João Ferreira pronunciou breves palavras, onde destacou o peso do Sindigraf no contexto socioeconômico do Distrito Federal e o planejamento das ações previstas para os próximos anos, como cursos de capacitação. “Estamos mudando a gestão do aprendizado e já começamos nossa programação de cursos de qualificação, com a realização de três eventos neste ano. Para 2012, estão programados mais 12 cursos, três workshpos e uma semana de artes gráficas. Nossa linha de atuação está voltada para decisões estratégicas objetivando a valorização do nosso produto”, explicou.
Por fim, João Ferreira conclamou todos os associados a fazerem um esforço coletivo visando a consolidação e o engrandecimento do setor. “Faço esse apelo para que todos se façam presentes no sindicato; que contribuam com ideias, projetos e ações que tenham como objetivo dar continuidade à nossa história que começou junto com o surgimento de Brasília”, disse.
Além dos dois presidentes, a mesa que dirigiu os trabalhos contou com a presença de José Luiz Diaz Fernandez (Vice-presidente da Fibra), João Batista Alves dos Santos (Presidente da Abigraf/DF), Eduardo Meneses (Presidente da ADEGRAF), e de Hilton Pinheiro Mendes (ex-Presidente do Sindigraf, no período de 1978 a 1987), representado todos os ex-presidentes.
Durante a posse, um vídeo com as fotos dos diretos eleitos foi veiculado nos telões. Em seguida, os convidados assistiram um vídeo histórico retratando os 40 anos de fundação do Sindigraf-DF.
Um pouco da história da indústria gráfica do DF
Criada por um grupo de pioneiros a rica história da indústria gráfica do DF começou a ser escrita antes mesmo do Sindigraf e coincide com o surgimento de Brasília.
Os registros mostram que a Gráfica e Tipografia Pioneira foi a primeira empresa do ramo a se instalar aqui, em 1956. Com a chegada da primeira unidade impressora, instalada no Núcleo Bandeirante, que na época era chamada Cidade Livre, surgia a indústria gráfica do Distrito Federal.
Sob o discurso expansionista de Juscelino Kubitschek, Brasília crescia e atraia pessoas de todas as regiões do país. No mesmo ritmo, as gráficas se multiplicavam, embaladas pelo aumento da demanda, surgidas com a instalação dos órgãos públicos em Brasília.
Visionário e empreendedor, o libanês Jorge Salim, um dos precursores desse movimento, montou sua gráfica em 1962, em Taguatinga.
Da década de 50 até os dias atuais, muita tinta foi consumida. Esse grupo pioneiro desempenhou um trabalho sério e conseguiu tornar o setor gráfico organizado, respeitado e um dos mais representativos segmentos produtivos da capital federal.
O Parque Gráfico do Distrito Federal é hoje um dos maiores do país, além de ser um dos mais avançados e dos que mais investem em tecnologia. A posição foi conquistada através da renovação tecnológica, com a aquisição de equipamentos de última geração e com o aporte de grandes investimentos.
Atualmente o parque gráfico industrial do Distrito Federal participa com cerca de sete por cento do PIB do setor. São cerca de 520 empresas, distribuídas em várias cidades-satélites, como Núcleo Bandeirante, Taguatinga, Ceilândia, Gama, Sobradinho e Planaltina, além do Plano Piloto, que oferecem quase sete mil empregos diretos e 14.500 empregos indiretos, firmando-se como um dos maiores empregadores do DF.
Para atender melhor os clientes, as empresas brasilienses tornaram-se mais eficientes, e descobriram a importância de investir na capacitação de seus colaboradores. Para tanto, mantêm intensos programas de formação e qualificação profissional, não poupando recursos nessa área. Ao lado da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), da Fibra, do Sebrae, Senai e Senac, o Sindigraf tem buscado consolidar parcerias que tenham como foco oferecer benefícios, capacitar os empresários e melhorar as condições de trabalho dos associados.
No próximo ano, o Sindigraf vai oferecer, pelo menos, uma dúzia de cursos de qualificação. Pela sede da entidade, passarão consultores e especialistas em artes gráficas de várias partes do país, que terão o compromisso de transmitir conhecimento aos empresários gráficos.
Favorecido pela posição geográfica estratégica, o parque gráfico local dispõe de uma logística privilegiada. Encravado no centro do país, consegue atender clientes de outros estados com agilidade e precisão. Assim, o Distrito Federal concorre com empresas de todo o país e comprova a sua força pela qualidade de seus produtos e capacidade competitiva.
História – Da década de 50 até os dias atuais, muita tinta foi usada. E é com esse sentimento, de continuar esse trabalho visionário, que o Sindigraf se empenha em tentar fazer sempre o melhor.“Temos uma dívida de gratidão com esses pioneiros que aqui se instalaram e deram início a essa história. Verdadeiros heróis que superaram obstáculos dos mais variados e nos ensinaram a gostar do cheiro de um livro novo. Devemos, também, honrá-los por nos ter mostrado o prazer de ser gráfico, atividade que nos traz tanto orgulho, pelo papel importante que ela representa em nossa sociedade”, diz o presidente do Sindigraf-DF, João Ferreira dos Santos, empossado no dia sete de dezembro.
O fato é que a história dos candangos e dos pioneiros gráficos se completam. Ou melhor, se somam. Exemplos de persistências similares que, anônimos, construíram o palco da vida e imprimiram a história dos empresários gráficos do DF.
Essa é a missão do empresário gráfico do DF. Essa é a sua arte: levar a cultura e o conhecimento de geração em geração; transmitir para o papel sonhos, arte, e a memória da nossa cidade.
Renascimento – Na competição com o mundo on-line, o setor de impressos – que inclui livros, revistas, jornais e impressos promocionais – tem se reinventado a cada dia, num processo de inovação cada vez maior. A busca de novas opções de mercado e a geração de novos produtos com maior agregação de valor passa a ser o foco maior. A sensibilidade de um produto impresso, com toda a sofisticação e recursos gráficos hoje disponíveis, é uma das opções para a sua valorização.
A busca pela convivência harmônica entre os dois formatos, no entanto, tem resultado em soluções criativas que merecem destaque.
Neste caminho, estão campanhas, projetos e eventos reelaborados, reformatados para atender essa nova situação de mercado.
O Prêmio de Excelência Gráfica Jorge Salim, organizado pelo Sindicato da Indústria Gráfica do Distrito Federal e pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica, é um desses exemplos vitoriosos. Realizado anualmente, o Prêmio, que leva o nome de um dos pioneiros do setor, é hoje referência nacional em qualidade gráfica e um dos mais importantes do país.
Reflexo do amadurecimento e do profissionalismo do mercado gráfico brasiliense, o Prêmio Jorge Salim se renova a cada ano, oferecendo aos empresários e convidados oportunidades concretas para reforçar o marketing de relacionamento. Com isso, o Prêmio se consolidou como importante ferramenta tanto do ponto de vista político como de convergência, uma vez que concentra representantes de todo o processo gráfico, como gráficas, publicitários, designers, logística e tomadores de serviço. Esse compartilhamento levará a indústria gráfica do DF, de forma inovadora, deixar de ser exclusivamente prestadora de serviços gráficos para se tornar a solução de mídia impressa de seus clientes, ofertando de forma integrada desde a criação até a distribuição de suas demandas.
Em 2012, o Prêmio acontecerá em abril e reunirá os trabalhos produzidos por empresas do DF e do Entorno, entre 01 de janeiro e 31 de dezembro de 2011. “Queremos imprimir uma nova identidade ao Sindicato. Para isso, precisamos da participação de todos. E esse é o primeiro passo desta nossa nova jornada”, convoca João Ferreira dos Santos, presidente do Sindigraf-DF.
Entrevista com o presidente do Sindigraf-DF, João Ferreira dos Santos.
1 – Qual a expectativa do senhor para o setor, tendo em vista a proximidade de eventos como eleições, Copa e Olimpíada?
João Ferreira dos Santos – Como é de conhecimento de todos, Brasília sediará até 2017 uma série de grandes eventos internacionais que resultarão em maior demanda de consumo de produtos gráficos. Face a esse cenário, estamos otimistas. Estamos trabalhando também para potencializar essa crescente demanda. Em parceria com o SEBRAE estamos desenvolvendo um programa de capacitação na produção de impressos para divulgação dos eventos. Além disso, teremos outros produtos que serão desenvolvidos para serem comercializados aos turistas de todo o planeta que virão à nossa cidade.
A indústria gráfica do Distrito Federal está preparada para esse incremento na produção, tendo aumentado gradativamente seus investimentos e, nos últimos anos, em tecnologia e capacitação da mão de obra. Nesse último aspecto, o Sindigraf dispõe de um programa de formação e qualificação em andamento, justamente com o objetivo de melhor capacitar nossos colaboradores.
2 – Como o senhor avalia esse movimento de transferência ou reposicionamento de mídias? Em outras palavras: até que ponto a internet está interferindo no processo gráfico?
João Ferreira dos Santos – A internet é uma ferramenta que veio para ficar e deve ser ampliada nos próximos anos. Isso é algo inexorável. Ciente disso, a indústria gráfica tem buscado trabalhar num processo de inovação, visando a geração de alternativas que possibilitem a manutenção de sua produção.
Recentemente a Abigraf publicou um levantamento que mostra que o número de títulos de revistas e publicações impressas no Brasil aumentou substancialmente nos últimos anos. Ou seja, os temas estão cada vez mais segmentados e a diversificação da mídia impressa é um fator que contribui para que haja crescimento no mercado de produção gráfica.
Apesar de todo o crescimento do e-comerce, a confiabilidade do consumidor na mídia impressa frente à mídia digital é muito maior.
Esse é um assunto que será discutido continuamente daqui para frente no Sindigraf e faz parte do processo evolutivo de nossas empresas.
3 – Existe uma filosofia na população de que o processo de impressão agride a natureza. Isso é verdade?
João Ferreira dos Santos – Definitivamente, não. A indústria gráfica brasileira é hoje um dos segmentos industriais com a produção mais limpa dentre todos. O produto gráfico e seus insumos são 100% recicláveis em uma única fonte. Fato que não acontece com outros produtos, onde sua reciclagem remete a várias fontes para a efetiva logística reversa.
É importante deixar claro para a sociedade, que 99,5% de todo o papel utilizado pela indústria brasileira provém de florestas cultivadas especificamente para esse propósito. Eram espaços degradados, devastados que foram transformados em áreas de reflorestamento com finalidade de uso industrial que proporcionam, inclusive, um ganho adicional para o meio ambiente, ao passo que retiram significativa quantidade de CO2 (maior causador do chamado efeito estufa) da atmosfera. No Brasil, por exemplo, essas florestas absorvem mais de um bilhão de toneladas de carbono da atmosfera por ano, de acordo com dados da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel).
O setor teve de se modernizar não só pelo ostensivo patrulhamento ecológico mas, principalmente, para atender as exigências dos clientes e consumidores, que hoje valorizam mais os produtos com selos ambientais. Hoje, grande parte das empresas gráficas do DF já detêm a licença ambiental e estão certificadas.
Em setembro, o Sindigraf-DF firmou um pacto com os empresários para que todas as empresas associados do setor obtenham a Certificação Ambiental pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram) e do FSC, que é a certificação na cadeia de custódia do papel, garantindo ao mercado consumidor a sua origem sustentável. Os últimos dados mostram que cerca de 85% das gráficas associadas iniciaram o processo e que 50% concluíram todas as etapas e conseguiram as Certificações.
Nesse aspecto o Sindigraf-DF tem sido o grande incentivador, criando parcerias e negociações coletivas com as empresas e órgão certificadores, visando a capacitação de nossas empresas para as exigências que virão com a Lei de Resíduos Sólidos.
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